VÍDEO: "O crescimento dos feminicídios é reflexo trágico de uma sociedade que falha em proteger a vida das mulheres", diz presidente da Comissão da Mulher da OAB Santa Maria

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Foto: Rian Lacerda (Diário)

Os altos índices de feminicídio registrados no Rio Grande do Sul refletem uma falha estrutural na proteção das mulheres e exigem respostas urgentes do poder público e da sociedade. A avaliação é da advogada Tâmara Camargo da Silva. Ela preside a Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santa Maria.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, na Rádio CDN 93.5 FM na manhã desta quinta-feira (22), Tâmara disse que o aumento dos casos é consequência de uma cultura que ainda não consegue garantir segurança, dignidade e igualdade às mulheres.

- Infelizmente, esse crescimento é um reflexo trágico de uma sociedade que falha em proteger a vida das mulheres. É urgente fortalecer as políticas públicas de prevenção, acolhimento e efetivação das leis protetivas - afirma.

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A advogada destaca que o enfrentamento à violência de gênero precisa ocorrer de forma integrada, envolvendo sistema de Justiça, órgãos de segurança, poder público e sociedade civil. Para a profissional, a atuação conjunta é fundamental para interromper ciclos de violência e evitar novos crimes. 

Tâmara Camargo da Silva é presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB de Santa Maria TV Diário (Reprodução)

Questionada sobre a ampla divulgação de casos de feminicídio e se isso poderia estimular a repetição dos crimes, a presidente da comissão avaliou que a exposição tem efeito contrário.

- A informação funciona como alerta. Quanto mais a sociedade estiver informada, maiores são as chances de identificar situações de violência e oferecer apoio às vítimas - ressaltou.

Ela também chamou atenção para o fato de que a violência contra a mulher atinge todas as classes sociais e ocorre em diferentes contextos.

- Não é um problema restrito à periferia. A violência está presente em todos os lugares, inclusive no centro das cidades. Precisamos estar atentos e apoiar a mulher, acolhê-la e ajudá-la a sair desse círculo - disse.

Sobre o crescimento de mais de 270% nos registros de feminicídio desde que o crime foi tipificado no Brasil, Tâmara avalia que os números refletem tanto o aumento da violência quanto a ampliação das denúncias.

- Hoje, a informação chega mais, e muitas mulheres conseguem denunciar. Medidas como o monitoramento eletrônico de agressores também contribuem para que elas se sintam um pouco mais protegidas - explicou.


Acolhimento às vítimas

Em Santa Maria, a Comissão da Mulher Advogada da OAB atua em ações de conscientização e está finalizando um projeto para oferecer acolhimento e orientação jurídica a mulheres vítimas de violência doméstica. A iniciativa busca complementar o trabalho da Defensoria Pública, que enfrenta alta demanda.

Além disso, a OAB articula reuniões com a Vara de Violência Doméstica, o Ministério Público, a Polícia Civil e as forças de segurança para fortalecer a rede de proteção. A entidade também desenvolve ações educativas por meio do projeto OAB Vai às Escolas, com palestras sobre violência de gênero para crianças e adolescentes.

- A educação é essencial para prevenir a violência. Precisamos ensinar desde cedo o que é violência de gênero e trabalhar isso também dentro de casa - afirmou.

Por fim, Tâmara reforçou a importância de denunciar. Em casos de emergência, a orientação é ligar para o telefone 190 (Brigada Militar) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). 

Em Santa Maria, as vítimas também podem procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), localizada na Rua Duque de Caxias, 1.159, o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública de Santa Maria (Ciosp), na Avenida Medianeira, ou registrar ocorrência pela Delegacia Online.


Números da violência contra a mulher

Em apenas 22 dias, o Rio Grande do Sul registrou sete feminicídios. No Brasil, 1.470 mulheres foram mortas por questões de gênero em 2025, uma média de quatro assassinatos por dia. Em 2024, foram 1.464 casos, até então o maior número da série histórica.

Em 2015, quando o feminicídio foi tipificado, ocorreram 535 mortes, ou seja, em 10 anos de monitoramento houve um crescimento de 274%.

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